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Em Macaíba, Casa Ecodidática reutiliza sobras da construção civil

Divulgado em: 23/08/2013

Casa EcodidáticaNa última sexta-feira, 16, o projeto Expedições visitou a Casa Ecodidática, localizada no Sítio Araçá, em Lagoa Grande, Macaíba. A obra é uma iniciativa do engenheiro e ambientalista Irineu Andrade, que guiou os participantes explicando minuciosamente cada detalhe do projeto.

 

Irineu Andrade, 61, é Engenheiro Químico e Ambientalista, mas já trabalhou em diversos setores. Seguindo os princípios de “observar, pensar, planejar, realizar, revisar, ajustar e contemplar”, vem trabalhando, desde 2009, no projeto da Casa Ecológica.

 

 

A ideia central da Casa Ecodidática é aproveitar os resíduos de construção e usufruir dos recursos naturais com o mínimo de impacto ao meio ambiente, além de contribuir com o bem estar social local. Construída no Sítio Araçá, a Casa é o núcleo da proposta experimental de reciclagem e permacultura.

 

O conceito de permacultura foi desenvolvido no começo dos anos 70 pelos australianos Bill Mollison e David Holgren. Nas palavras de Mollison, permacultura é “um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza”. A permacultura trata de plantas, animais, edificações e infraestrutura (água, energia, comunicações), bem como dos relacionamentos que podemos criar entre eles, conforme sua composição em um terreno, para criar ambientes humanos em harmonia com a natureza. (Instituto Ressoar:  http://www.ressoar.org.br)

 

A inspiração para o projeto veio do incômodo que o ambientalista sentia ao ver a quantidade de resíduo deixado próximo ao prédio onde mora: painéis, janelas, madeiras, concreto. Na chegada, a equipe é conduzida aos depósitos onde o material coletado é organizado por categorias. Tudo que é coletado irá ganhar nova utilidade. São colunas e viveiros feitos de latas de tinta, móveis cedidos por lojas, caixas de portas de ipê; pratos de uma fábrica de cerâmica conduzem o caminho em meio à grama. Esta, inclusive, pode ser eventualmente trocada com moradores da região, por estrume, por exemplo. Irineu revela que a única coisa que precisa comprar é o cimento. Um dos depósitos de madeira armazenam 48 placas jogadas fora: “eu limpei Ponta Negra”, declara.

 

Durante a Expedição, a equipe conheceu também o projeto de reflorestamento do sítio. O sistema de agro florestamento concilia a agricultura de subsistência com o cultivo de plantas nativas, como dendê, mogno, umbaúba e açaí. Irineu afirma a importância das árvores serem frutíferas, para que haja continuidade, pela própria natureza, no ciclo do reflorestamento. As primeiras mudas foram recolhidas de uma poda orgânica e usadas para a recuperação do solo degradado. Na horta são cultivados milho, alface, seriguela, batata, entre vários outros. Avistam-se ainda exemplares antigos de samaúma e seringueira.

 

Entre as árvores frondosas da trilha, flui uma fonte perene de água potável, onde peixes se alimentam de cupins que estejam nas madeiras recém-chegadas. Ladeada por um pé de açaí, a fonte leva à Casa Ecodidática.

 

A Casa Ecodidática chama atenção pelo tamanho e beleza. Suspensa para evitar umidade, a construção divide-se em sala, varandas, quarto e um banheiro. O engenheiro explica que a estrutura do encanamento, a exemplo da fiação elétrica, são emendas ligadas internamente. Nela, a decoração é composta de mesa, cadeiras de balanço, painéis, adega decorativa, janelas em bom estado, vidraças, painel de garrafas coladas com cimento e até um expositor de uma construtora. As escadas, que ainda não têm corrimão, levam às janelas, cujos vitrais estão em bom estado, e dão uma vista da lagoa que se encontra mais adiante.

 

Para o engenheiro, se o projeto de assentamentos sustentáveis fosse institucionalizado, seria possível construir em grande escala e acabar com o déficit de moradia. “É mais fácil de fazer, porque o material já está produzido”. Questionado sobre esta possibilidade, Irineu reconhece ter percebido uma diminuição na disponibilidade dos materiais encontrados em função, acredita, do aumento da utilização dessas sobras.

 

Um dos participantes, Janisclei Silva, formado em Gestão Ambiental, aprovou a iniciativa e disse que aprendeu um pouco mais sobre a reutilização de materiais.

 

Em frente à Lagoa Grande, o conceito de sustentabilidade foi abordado de forma ampla, saindo da questão do reaproveitamento de resíduos da construção civil para debater alimentação do ponto de vista da saúde e da sustentabilidade: o planeta é dotado de ampla diversidade de espécies, e o homem, com a industrialização, agride a natureza ao interferir negativamente no equilíbrio do ecossistema, afirma Irineu.

 

Os interessados em conhecer um pouco mais sobre a Casa Ecodidática podem acessar o blog do projeto através do endereço http://reciclagemdodesperdicio.wordpress.com/.

 

Por Valéria Félix e Jô Carvalho – Equipe DMA Comunica

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